O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, subiu o tom e deixou claro que não recuará: se for preciso, irá pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir o tão esperado reajuste das forças de segurança da capital. Mais do que um gesto administrativo, a fala carrega simbolismo político e traduz o limite da paciência dos servidores e do próprio GDF diante da demora em resolver o impasse.
“Não abrirei mão dessa luta”, afirmou Ibaneis em meio a um evento marcado pela presença maciça de policiais e bombeiros. Sua fala ecoou como um grito de mobilização, chamando deputados, líderes e corporações a se unirem em torno de uma causa que ultrapassa ideologias: a valorização daqueles que arriscam a vida diariamente pela proteção de Brasília e do país.
A disputa não é apenas por números em planilhas. Trata-se de dignidade e reconhecimento. Policiais militares, civis e bombeiros do DF não defendem apenas os moradores da capital, mas também a sede dos Três Poderes, o coração político do Brasil. Por isso, o embate pelo reajuste ganhou contornos nacionais.
O pedido oficial já foi protocolado junto ao Planalto em 19 de fevereiro de 2025, com o aval técnico e financeiro do GDF. O impacto calculado é de R$ 2,3 bilhões até 2026, recurso que seria integralmente custeado pelo Fundo Constitucional — sem comprometer outras áreas. O aumento, distribuído em duas parcelas (setembro de 2025 e maio de 2026), elevaria salários que hoje estão em R$ 19,5 mil para R$ 26 mil nos cargos mais altos.
“Temos estudos sólidos e o Fundo Constitucional é suficiente para bancar esse reajuste histórico”, reforçou o secretário de Economia, Ney Ferraz, em apoio ao governador.
Ao sinalizar que poderá levar o pleito diretamente a Lula, Ibaneis mostra disposição para transformar a causa em bandeira política. “Valorizar a segurança pública é valorizar o Brasil”, parece ser o slogan não declarado dessa cruzada.
O desafio agora é romper a burocracia de Brasília e garantir que o Planalto encaminhe a proposta ao Congresso. Cada dia de espera aumenta a insatisfação nas tropas — e a história já mostrou que quando a segurança da capital se fragiliza, todo o país sente o impacto.
A cena é clara e simbólica: um governador que se coloca à frente, disposto a enfrentar o presidente da República para defender policiais e bombeiros. Uma batalha de bastidores que, se ignorada, pode ganhar contornos de crise — mas que, se vitoriosa, entrará para a história como o maior gesto de valorização das forças de segurança do Distrito Federal.