Bomba nos bastidores: a ligação do PT com o Banco Master vem à tona

Uma articulação política envolvendo integrantes do PT e o Banco Master veio à tona nos últimos dias e lançou luz sobre a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como consultor da instituição financeira. A movimentação teve como peça central o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, que atuou para viabilizar a entrada de Mantega no banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ex-ministro passou a receber R$ 1 milhão por mês para prestar consultoria ao Banco Master. A contratação ocorreu logo após o governo federal desistir de indicá-lo para o conselho de administração da Vale, recuo motivado pela reação negativa do mercado, que enxergou na tentativa uma interferência política indevida.

Atuação interna e negociação com o BRB

Dentro do Banco Master, Mantega assumiu um papel estratégico. Sua principal função foi atuar como interlocutor em negociações que envolviam a possível venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Ele permaneceu nessa função até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação do banco, em novembro do ano passado.

Considerando o período de atuação, os valores pagos ao ex-ministro podem ter ultrapassado R$ 11 milhões.

A aproximação do banco com figuras ligadas ao PT ocorreu em um momento em que o Master buscava respaldo político e institucional, mantendo diálogo frequente com integrantes do governo federal.

Trânsito no Planalto sem registro da função

Durante o período em que prestava serviços ao Banco Master, Guido Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto ao longo de 2024. As visitas ocorreram nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro, todas registradas oficialmente.

Em nenhuma dessas agendas consta referência à sua atuação como consultor do banco. Mantega aparece apenas identificado como ex-ministro da Fazenda. Os encontros foram realizados com o chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro.

Os registros foram levantados a partir da plataforma Agenda Transparente, mantida pela ONG Fiquem Sabendo, que monitora compromissos oficiais do governo.

Reunião fora da agenda e discurso público

Além das visitas registradas, houve ainda um encontro entre o presidente Lula e Daniel Vorcaro ao longo de 2024, conforme noticiado posteriormente pela imprensa. Essa reunião, no entanto, não aparece nos registros oficiais do Planalto.

O caso chama atenção também pelo contraste entre os bastidores e o discurso público do presidente. Em evento recente, Lula criticou duramente o controlador do banco, sem citá-lo nominalmente, usando termos duros para se referir a quem o apoiava.

As informações agora reveladas expõem uma relação que esteve ativa nos bastidores do poder enquanto, publicamente, o tom adotado era de distanciamento.

Debate sobre transparência

O episódio reacende o debate sobre transparência, conflito de interesses e a circulação de ex-integrantes do governo em negociações privadas de alto valor, especialmente quando essas articulações ocorrem paralelamente ao trânsito em órgãos centrais do poder público.

Com informações Blog Bombeiros DF

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