Um avião KC-390 Millennium, fabricado pela Embraer e operado pela Força Aérea Brasileira (FAB), sofreu danos estruturais após um pouso considerado atípico no aeroporto de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, durante missão de apoio logístico à Operação Antártica, conforme informou inicialmente o portal Aeroin.
O incidente ocorreu em setembro do ano passado, mas somente nos últimos meses detalhes técnicos começaram a ser revelados após análises realizadas no Brasil. Segundo apurações, a aeronave realizou um pouso duro, quando a taxa de descida no toque com a pista excede o padrão normal.
De acordo com o jornalista especializado Felipe Salles, do canal Base Militar, o KC-390 pousou com vento de cauda, condição que não é recomendada, mas relativamente comum em Ushuaia, um dos aeroportos mais desafiadores das Américas devido a ventos fortes, rajadas inesperadas e mudanças rápidas de direção.
Relatos de pessoas próximas à operação indicam que essas condições podem ter desencadeado uma sequência de eventos inesperados. Durante a aproximação final, o avião chegou a “quicar” na pista, fenômeno em que a aeronave toca o solo e retorna momentaneamente ao ar devido à energia residual do impacto — comportamento frequente em pousos com vento de cauda.
No primeiro toque, os spoilers — painéis móveis sobre as asas que reduzem a sustentação e ajudam a aeronave a permanecer no solo — foram acionados automaticamente. Sem sustentação suficiente, o KC-390 perdeu altitude rapidamente e sofreu um segundo impacto mais forte.
Sistemas semelhantes existem em jatos comerciais e em aeronaves militares de grande porte, como o C-17 Globemaster III, o que indica que o episódio não está relacionado a falha exclusiva do modelo brasileiro.
O impacto causou um dano estrutural interno, próximo à junção da fuselagem com o compartimento do trem de pouso, tipo de avaria que nem sempre é visível externamente.
A aeronave seguiu de Ushuaia para Pelotas (RS) e depois até a Base Aérea do Galeão (RJ), onde passou por inspeções detalhadas que revelaram a extensão do dano. A Embraer estimou que o reparo custará entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões, valor que atualmente não consta no orçamento da FAB, historicamente limitado.
Com isso, o futuro do KC-390 envolvido permanece incerto. A aeronave segue parada no Galeão, aguardando decisão sobre a liberação de recursos para o conserto. (Foto: FAB; Fonte: Sociedade Militar)



