As festas do dono do Master e os nomes que podem abalar Brasília

Segundo o colunista da Veja, José Casado, os relatos revelados na imprensa sobre as festas do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades públicas, descrevem eventos com “mulheres bonitas, pouca roupa e muito álcool” — em alguns casos, “até quatro mulheres para cada político”, todas estrangeiras e sem familiaridade com o idioma dos convidados. “Sem juízo moral”, ponderou o colunista, “negócios com libertinagem é uma das receitas mais antigas de lobby”.

O ponto central, no entanto, não é o exotismo das festas, mas o que elas podem revelar sobre proteção política e institucional a um banco que, segundo investigações, operava uma fraude de grandes proporções.

Quem eram as autoridades nas festas do banco?

Casado sustenta que a eventual lista de participantes ajudaria a compreender como um banco de porte relativamente modesto conseguiu trânsito e blindagem e em áreas sensíveis do poder. “A relação de autoridades participantes dessas festas ajudaria a entender como o pequeno Banco Master ficou protegido no Congresso, no governo e no Judiciário enquanto executava uma fraude bilionária”, afirmou.

A expectativa era de que parlamentares questionassem Vorcaro diretamente sobre os nomes envolvidos caso ele tivesse sido ouvido. Mas ele refugou, e não convenceu a sua desculpa de contrariedade com a decisão do relator, Ministro André Mendonça, de não deixa-lo viajar em jato particular privado.

Mas sabe-se que se comparecesse, o constrangimento potencial seria óbvio: Já pensou se Vorcaro abrisse o bico e delatasse que e quais autoridades responsáveis por fiscalizar, legislar ou julgar tinham proximidade social com investigados, numa clara suspeita de favorecimento?

Trata-se apenas de moralidade — ou de captura do Estado?
Casado foi explícito ao afastar o moralismo como eixo da discussão. O problema, disse, não é a vida privada dos convidados, mas o possível uso de ambientes de entretenimento como instrumento de influência. “As orgias master, aparentemente gravadas em vídeos, são relevantes porque compõem um enredo de captura do Estado brasileiro por interesses privados”, afirmou.

A expressão “captura do Estado” não é trivial. Refere-se a situações em que grupos privados conseguem moldar decisões públicas em benefício próprio — seja por meio de lobby informal, proximidade pessoal ou relações pouco transparentes.

Se confirmada a existência de registros audiovisuais desses encontros, o material pode se tornar peça-chave não apenas para o debate político, mas para investigações formais.

Como isso pode afetar o trâmite judicial do caso?

Há ainda um aspecto jurídico sensível. Para Casado, a história das festas é “importante também para a prevenção de nulidades processuais durante o trâmite na Justiça”. A lógica é direta: eventuais vínculos sociais relevantes entre investigados e autoridades podem gerar alegações de suspeição ou impedimento.

Em casos de grande repercussão, qualquer brecha processual pode resultar em anulação de atos, atrasos ou até invalidação de provas. Mapear previamente relações potencialmente problemáticas pode evitar que o processo seja contaminado por questionamentos futuros.

O escândalo entra de vez na campanha?

A análise do colunista parte de um diagnóstico político: o caso Master não ficará restrito aos autos. Com o calendário eleitoral avançando, o escândalo tende a ser incorporado ao debate público.

Se o depoimento trouxer nomes ou confirmar práticas de influência, o episódio pode alimentar discursos sobre corrupção, privilégios e promiscuidade entre poder econômico e poder político — temas que historicamente mobilizam o eleitorado.

Em Brasília, a pergunta que paira é simples — e incômoda: quem estava nessas festas enquanto o banco ampliava sua atuação?

Com informações VEJA – adaptação por Jorge Poliglota

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