Arruda inelegível, PSD fecha com Celina e tabuleiro eleitoral do DF muda novamente

Paulo Octávio confirma apoio do partido à governadora depois da saída de Arruda; decisão amplia a coalizão de Celina na reta final, embora ex-governador e integrantes da legenda tenham liberdade para seguir outros caminhos

A menos de uma semana das eleições, o tabuleiro político do Distrito Federal sofreu mais uma mudança importante. O PSD-DF decidiu apoiar a candidatura à reeleição da governadora Celina Leão (PP).

A informação foi confirmada na noite deste domingo (27) pelo presidente regional da legenda, Paulo Octávio, após dias de reuniões e articulações provocadas pelo indeferimento definitivo da candidatura de José Roberto Arruda ao Governo do Distrito Federal.

O anúncio formal está previsto para esta segunda-feira (28).

A decisão representa uma mudança significativa na estratégia do PSD. Até poucos dias atrás, o partido estava diretamente na disputa pelo Palácio do Buriti com Arruda. Depois que o Tribunal Superior Eleitoral manteve o indeferimento de seu registro, a legenda ficou sem candidato próprio e precisou discutir qual caminho seguiria na reta final.

Paulo Octávio confirma decisão

Segundo Paulo Octávio, Celina procurou o partido após a saída de Arruda e conversou diretamente com a direção.

O presidente regional explicou que a Executiva avaliou as alternativas e decidiu pelo apoio à governadora. Ao confirmar a decisão, destacou também o tamanho da estrutura partidária: o PSD possui cerca de 3,5 mil filiados no Distrito Federal.

O movimento ocorre poucos dias depois de Celina afirmar, durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, que considerava uma eventual aproximação com o PSD uma “aliança natural”. Na ocasião, a governadora disse conhecer integrantes da legenda e ressaltou a importância política de uma aproximação na reta final.

Agora, aquela possibilidade se transformou em decisão da direção partidária.

Depois do Avante, chega o PSD

A adesão ocorre logo depois de outro movimento relevante.

O Avante, presidido no Distrito Federal pelo ex-senador Gim Argello, também deixou o grupo político que sustentava Arruda e declarou apoio a Celina após a decisão do TSE.

Com isso, a retirada judicial de Arruda produziu uma reorganização rápida das alianças.

Do ponto de vista factual, a chegada do PSD amplia o conjunto de partidos formalmente alinhados à candidatura de Celina e acrescenta à campanha uma estrutura partidária que, até a semana passada, estava mobilizada em torno de outro candidato.

Isso pode significar participação de dirigentes, militantes e candidatos proporcionais em atividades de campanha, embora a dimensão efetiva dessa adesão só possa ser medida ao longo dos próximos dias.

Mas PSD não marchará inteiramente unido

Ao mesmo tempo, existe um detalhe fundamental, segundo Paulo Octávio, que essa decisão não obriga os integrantes da legenda a acompanhar a posição oficial. Segundo ele, os candidatos do PSD e Arruda estão liberados para apoiar outros concorrentes ao GDF. E as divergências já apareceram.

O vice-presidente regional do PSD, Lucas Kantoyanis, declarou apoio a Paula Belmonte. Arruda, em vídeo divulgado nas redes sociais, também reagiu à decisão da direção partidária dizendo: “Eles não terão o meu apoio.”

O ex-governador afirmou que não apoiará Celina Leão nem seu candidato a vice, Gustavo Rocha, e fez críticas à atual administração.

De adversários a aliados em poucos dias

Talvez seja esse o aspecto politicamente mais interessante da decisão. Até quinta-feira, PSD e PP estavam em lados opostos da eleição. Arruda disputava votos diretamente com Celina e, durante meses, as duas campanhas protagonizaram uma das principais rivalidades da corrida pelo Buriti.

Quatro dias depois, o partido de Arruda passa oficialmente para o campo de Celina — embora sem o apoio pessoal do ex-governador.

A mudança ilustra como a decisão do TSE alterou a estrutura da disputa.

Em abril, Paulo Octávio havia inclusive descartado apoio a Celina e reafirmado que o candidato do PSD seria Arruda.  Agora, diante de uma circunstância eleitoral completamente diferente, a direção regional tomou outra decisão. Isso é a política.

O que o apoio representa para Celina

Sem transformar apoio partidário em previsão eleitoral, existem consequências políticas objetivas.

Primeiro, Celina incorpora formalmente outra legenda à sua coalizão política na reta final.

Segundo, o PSD possui candidatos proporcionais espalhados pelo DF, estrutura partidária e militância que podem participar da campanha majoritária — ainda que parte deles tenha liberdade para seguir outros candidatos.

Terceiro, o movimento reforça uma tendência observada depois da saída de Arruda: grupos que estavam anteriormente em campo adversário passaram a negociar novos alinhamentos.

Isso já ocorreu com o Avante e agora alcança o próprio PSD.

Por outro lado, seria precipitado afirmar que os eleitores de Arruda migrarão automaticamente para Celina.

Uma eleição redesenhada em quatro dias

Poucas vezes uma campanha mudou tão rapidamente tão perto das urnas.

Na quinta-feira, Arruda deixou definitivamente a disputa. Depois, o Avante anunciou apoio a Celina. Agora, o PSD toma o mesmo caminho institucionalmente. Ao mesmo tempo, Arruda segue em direção diferente da direção de seu próprio partido.

É uma demonstração de que a reta final da eleição do Distrito Federal está sendo disputada não apenas nas ruas e na propaganda eleitoral, mas também numa intensa reorganização das forças partidárias.

Para Celina, a consequência imediata é clara e verificável, já que sua candidatura passa a contar oficialmente com mais um partido que, até poucos dias atrás, integrava um projeto eleitoral adversário.

Para o PSD, começa outra tarefa que é administrar internamente a diferença entre a posição adotada pela Executiva comandada por Paulo Octávio e a decisão de figuras da legenda que não pretendem acompanhá-la.

E para o eleitor, fica uma distinção essencial nesta reta final: o PSD declarou apoio a Celina Leão; José Roberto Arruda, não.

Mas isso é outra história, afinal, Arruda está inelegível!

Fonte: Portal Opinião Brasília

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