Deputado federal critica plano de recuperação conduzido por Celina Leão e enfrenta questionamentos sobre o papel do MDB na crise do Banco de Brasília.
A crise do Banco de Brasília (BRB) continua provocando fortes reflexos no cenário político do Distrito Federal e já se tornou um dos principais temas da disputa pelo Palácio do Buriti em 2026. No centro desse debate está o deputado federal Rafael Prudente (MDB), que voltou a se manifestar sobre a situação da instituição financeira, adotando um discurso que, para críticos, fortalece a narrativa favorável à intervenção e à futura privatização do banco público.
Brasília vive um verdadeiro tsunami político desde o avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo operações financeiras ligadas ao BRB e ao Banco Master. O caso resultou em prisões de empresários, ex-executivos e pessoas ligadas à administração da instituição (Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa), transformando-se em uma das maiores crises da história recente do Distrito Federal.
Em meio ao cenário de instabilidade, a governadora Celina Leão (PP) assumiu a missão de conduzir a recuperação do banco após a saída de Ibaneis Rocha (MDB) do Governo do Distrito Federal para disputar uma vaga ao Senado em 2026. Em pouco mais de cinquenta dias à frente do Palácio do Buriti, Celina anunciou um acordo envolvendo o GDF, a União e o Supremo Tribunal Federal (STF), considerado pelo governo um passo decisivo para garantir a estabilidade financeira da instituição.
Segundo a governadora, o entendimento permitirá a capitalização do BRB, fortalecerá sua governança e preservará a segurança dos correntistas. Desde o início da crise, Celina tem defendido a manutenção do caráter público do banco, a proteção dos servidores e a rejeição de qualquer proposta de intervenção externa ou privatização.
Enquanto isso, Rafael Prudente passou meses adotando uma postura discreta diante da crise. Parlamentares e lideranças políticas lembram que, desde o agravamento da situação do BRB em 2025, o deputado evitou protagonizar debates sobre soluções para a instituição. Agora, porém, o emedebista surge questionando os custos da recuperação financeira e levantando dúvidas sobre a viabilidade da operação conduzida pelo governo.
Para adversários políticos, o discurso de Prudente possui um objetivo claro: desgastar a estratégia de recuperação liderada por Celina Leão e preparar o terreno para defender alternativas mais radicais, como uma intervenção ou até mesmo a privatização do BRB.
O que chama atenção é que o parlamentar não faz uma autocrítica sobre o papel histórico do MDB na condução do banco (BRB). Integrantes da atual gestão lembram que indicações políticas apoiadas pelo partido tiveram participação em administrações anteriores da instituição e que parte das decisões hoje questionadas ocorreu durante períodos em que o MDB possuía forte influência sobre o BRB.
Ao criticar a operação de recuperação, Rafael Prudente também não apresenta uma proposta concreta para solucionar a crise. Limita-se a questionar os custos do acordo e os impactos para as contas públicas, sem explicar qual seria sua alternativa para preservar a instituição financeira e proteger milhares de correntistas.
Nos bastidores, o posicionamento do deputado é visto por aliados do governo como parte de um projeto eleitoral. Rafael Prudente é apontado como pré-candidato ao Governo do Distrito Federal e busca ampliar seu espaço político para 2026. O movimento ocorre justamente em meio às turbulências internas do MDB-DF.
Recentemente, o presidente regional do partido, Wellington Luiz, denunciou publicamente articulações internas que teriam como objetivo enfraquecer sua liderança. O dirigente classificou a movimentação como uma traição e atribuiu o episódio a interesses eleitorais ligados à sucessão no Distrito Federal.
A crise interna expôs o racha dentro do MDB e evidenciou o distanciamento entre Rafael Prudente e a atual direção partidária. Nos bastidores da política brasiliense, também circulam informações sobre aproximações do deputado federal Rafael Prudente com grupos de oposição ao governo local e com lideranças ligadas ao ex-governador José Roberto Arruda.
Para aliados de Celina Leão, enquanto a governadora trabalha para preservar um patrimônio público estratégico do Distrito Federal, setores da oposição enxergam na crise uma oportunidade política para enfraquecer o governo e defender mudanças profundas na estrutura do banco.
Com a corrida eleitoral de 2026 cada vez mais próxima, a disputa em torno do futuro do BRB deixou de ser apenas uma discussão financeira. Transformou-se em uma batalha política que colocará frente a frente dois projetos distintos: de um lado, a defesa da recuperação e manutenção do banco público; de outro, discursos que, na avaliação de críticos, acabam fortalecendo o caminho para uma eventual intervenção ou privatização da instituição.
Fonte: Tudo Ok Notícias


