Fotos inéditas mostram viagem de Lulinha e lobista em jatinho de US$ 20 milhões, revela Veja

Em reportagem, revista detalha a relação da lobista com Lulinha, contratos milionários, viagens e reuniões com integrantes do governo; investigada afirma que pretende buscar um acordo de delação premiada.

Uma reportagem publicada pela revista VEJA traz novos detalhes sobre a relação entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, a empresária afirma estar disposta a revelar informações sobre os bastidores de negócios envolvendo pessoas próximas à família presidencial e integrantes do governo federal.

O material apresenta mensagens, relatos e informações atribuídas a investigações da Polícia Federal para descrever uma relação que, segundo a reportagem, teria envolvido articulações empresariais, contatos com autoridades e despesas de alto valor. Luchsinger afirma que pretende esclarecer os fatos e declarou à CNN Brasil que deseja negociar um acordo de colaboração premiada.

“Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim”, afirmou, conforme reproduzido pela VEJA.

“Se eu abrir a minha boca, ele perde a eleição”, diz lobista

Um dos trechos de maior repercussão da reportagem envolve as declarações atribuídas a Luchsinger após Lula negar publicamente conhecê-la e chamá-la de “pilantra” durante uma entrevista ao Jornal Nacional.

De acordo com a revista, a lobista ficou abalada com as declarações e afirmou ter recebido ligações de ministros, amigos e pessoas próximas ao presidente. Ela também teria relatado que um dos filhos de Lula entrou em contato para demonstrar solidariedade.

Ainda segundo a VEJA, Luchsinger afirmou que pessoas ligadas ao governo estariam preocupadas com o que ela poderia revelar.

“Um monte de ministro me ligou. Todo mundo com medo, né? Medo de eu abrir minha boca. Porque, se eu abrir a minha boca, ele perde a eleição”, declarou, conforme a reportagem.

A frase aumenta a repercussão política do caso, mas o conteúdo que a lobista diz possuir ainda precisa ser apresentado e examinado pelas autoridades para que suas afirmações possam ser verificadas.

ROTEIROS – Várias das viagens feitas por Lulinha eram custeadas por amigos (Reprodução/Reprodução)
ROTEIROS – Várias das viagens feitas por Lulinha eram custeadas por amigos (Reprodução/Reprodução) 

Investigação aponta relação comercial com Lulinha

A reportagem afirma que mensagens encontradas no celular de Luchsinger passaram a integrar investigações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha. Segundo a publicação, a Polícia Federal investiga se a lobista e o filho do presidente atuavam em conjunto para representar empresas e empresários interessados em negócios com o poder público.

Conforme o material divulgado pela VEJA, Luchsinger seria responsável por captar clientes, enquanto Lulinha utilizaria sua proximidade com o núcleo do governo para facilitar contatos e encaminhar demandas.

A publicação também relata que mensagens atribuídas à lobista mencionariam a realização de articulações políticas por meio do Palácio do Planalto e uma meta de lucro de R$ 100 milhões para 2024.

As suspeitas fazem parte de investigações e não devem ser confundidas com condenações definitivas. A extensão das responsabilidades individuais depende da apuração e da análise das provas pelas autoridades competentes.

Mansão em Brasília, viagens e despesas sob questionamento

Outro ponto destacado pela VEJA envolve uma residência de luxo em Brasília que, segundo a reportagem, teria sido utilizada por Lulinha para hospedagem e reuniões com autoridades e empresários. A publicação afirma que os custos mensais de manutenção ultrapassariam R$ 100 mil.

A revista também relata viagens internacionais, uso de aeronaves fretadas e despesas que teriam sido custeadas por empresários ou pessoas próximas. Entre os episódios mencionados estão uma viagem à Finlândia para acompanhar a aurora boreal e uma visita à Grande Muralha da China.

Segundo a reportagem, fotografias e outros arquivos armazenados no celular da lobista ajudariam a documentar parte dessas relações. A publicação ainda menciona encontros e confraternizações com empresários e integrantes do governo.

Procurado em outras ocasiões, o advogado de Lulinha afirmou, conforme reproduzido pela VEJA, que ele se mantém no exterior com recursos provenientes do próprio trabalho, na área de consultoria e governança.

DESTINOS DE GRIFE – O filho do presidente viajou com a empresária para assistir à aurora boreal na Europa (Reprodução/Reprodução)
DESTINOS DE GRIFE – O filho do presidente viajou com a empresária para assistir à aurora boreal na Europa (Reprodução/Reprodução)

Contratos milionários e contatos com integrantes do governo

A reportagem também aborda negócios de empresas que teriam ampliado sua atuação junto ao governo federal após a posse de Lula. Um dos exemplos citados é o de uma empresa do setor de eventos que, segundo a publicação, passou de um contrato de R$ 197 mil com a administração federal para uma carteira de 13 novos contratos, com faturamento de R$ 63 milhões nos três anos seguintes.

A VEJA relaciona essa expansão à aproximação entre pessoas ligadas à empresa e Lulinha, mas a existência de contratos e relações comerciais, isoladamente, não comprova irregularidades.

O material também menciona mensagens sobre passagens aéreas, pagamentos de despesas e contatos com integrantes do governo. Entre os nomes citados estão o então chefe de gabinete pessoal de Lula, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, e o empresário Antonio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS.

Segundo a publicação, Luchsinger admitiu ter dado dinheiro a Santana para ajudá-lo em dificuldades financeiras, mas negou que o pagamento tivesse sido um empréstimo. Ela afirmou que considerava a atitude uma ajuda a um amigo.

A reportagem sustenta que mensagens recuperadas pela Polícia Federal contribuíram para investigações sobre possíveis articulações de interesses privados dentro do governo. As circunstâncias e eventuais responsabilidades ainda dependem da apuração dos fatos.

A VEJA relaciona essa expansão à aproximação entre pessoas ligadas à empresa e Lulinha, mas a existência de contratos e relações comerciais, isoladamente, não comprova irregularidades.

O material também menciona mensagens sobre passagens aéreas, pagamentos de despesas e contatos com integrantes do governo. Entre os nomes citados estão o então chefe de gabinete pessoal de Lula, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, e o empresário Antonio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS.

Segundo a publicação, Luchsinger admitiu ter dado dinheiro a Santana para ajudá-lo em dificuldades financeiras, mas negou que o pagamento tivesse sido um empréstimo. Ela afirmou que considerava a atitude uma ajuda a um amigo.

A reportagem sustenta que mensagens recuperadas pela Polícia Federal contribuíram para investigações sobre possíveis articulações de interesses privados dentro do governo. As circunstâncias e eventuais responsabilidades ainda dependem da apuração dos fatos.

Lobista fala em “costuras políticas” e meta de R$ 100 milhões

Em mensagens analisadas pela Polícia Federal, a lobista Roberta Luchsinger teria descrito sua atuação como a realização de “costuras políticas” por meio do Palácio do Planalto. Segundo a reportagem da Veja, ela estabeleceu uma meta de lucro de R$ 100 milhões para 2024.

De acordo com a Polícia Federal, Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teriam formado um “núcleo de atuação permanente” voltado à defesa de interesses privados dentro do governo federal.

Em entrevista à CNN, a lobista insinuou que sua proximidade com o filho do presidente teria ajudado empresários a obter negócios e contratos públicos. “A gente não está falando de cafezinho, estamos falando de dinheiro público, de gasto público, de relações com ministro, filho, pai”, afirmou.

Amauri Rodrigues Pinha e os contratos bilionários

Um dos nomes mencionados por Roberta é Amauri Rodrigues Pinha, presidente do conselho de administração da Empresa Construtora Brasil (ECB), integrante do grupo português Mota-Engil.

A empresa venceu o leilão para a construção do túnel Santos-Guarujá, projeto avaliado em quase R$ 7 bilhões, e, mais recentemente, assinou um contrato de R$ 4 bilhões com a Petrobras, conforme relatado pela Veja.

Segundo a lobista, pessoas ligadas à empresa teriam oferecido apoio, inclusive financeiro, à mudança de Lulinha para a Espanha. O filho mais velho do presidente vive no exterior desde junho de 2025, período em que veio à tona o escândalo envolvendo descontos indevidos em aposentadorias do INSS.

Ao comentar a relação entre Amauri e Lulinha, Roberta afirmou que o empresário era vizinho de Fábio em São Paulo e que havia trabalhado por anos na empreiteira Queiroz Galvão, além de ter vivido na África.

“Amauri era um vizinho do Fábio em São Paulo. Ele morou na África, trabalhou um tempão na empreiteira Queiroz Galvão. Ressurgiu no mundo dos negócios com a volta do Lula ao poder. Parece que pessoas ligadas à empresa onde Amauri trabalha, inclusive, ajudam de alguma forma o Fábio a pagar as contas em Madri”, declarou.

As afirmações levantam questionamentos sobre as relações entre empresários com contratos de grande valor junto ao poder público e pessoas próximas à família presidencial. As suspeitas e declarações citadas, contudo, não constituem, por si só, comprovação de irregularidades nos contratos ou de que recursos empresariais tenham financiado a vida de Lulinha no exterior.

Lulinha vive em condomínio de luxo na Espanha

Conforme a reportagem da Veja, Lulinha mora com a família em um condomínio de luxo em Madri, conhecido por abrigar residências de jogadores de futebol famosos, entre eles Vini Jr.

O aluguel médio na região seria de aproximadamente 5 mil euros mensais, pouco mais de R$ 28 mil. O condomínio oferece uma estrutura de lazer que inclui piscina, sauna, academia, spa, espaço de coworking e atrações para crianças, como tobogãs e tirolesa.

Procurado sobre a manutenção do padrão de vida do filho do presidente no exterior, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que ele se sustenta com o “esforço do próprio trabalho”. Segundo o defensor, Lulinha atua nas áreas de consultoria e governança, atividade que lhe proporcionaria recursos para manter esse padrão de vida. A reportagem não apresenta, nesse trecho, detalhes sobre os rendimentos que sustentariam as despesas.

FESTAS – Lulinha passou a virada de ano em 2025 na mansão alugada por Roberta Luchsinger em Brasília ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência (Reprodução/Reprodução)
FESTAS – Lulinha passou a virada de ano em 2025 na mansão alugada por Roberta Luchsinger em Brasília ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência (Reprodução/Reprodução) 

Viagens internacionais, jatos fretados e presentes de empresários

A reportagem também descreve viagens internacionais realizadas por Lulinha e sua família nos últimos quatro anos. Fotografias armazenadas na nuvem do telefone de Roberta Luchsinger, segundo a Veja, registrariam passeios por diferentes continentes, estadias em restaurantes de alto padrão e deslocamentos em aeronaves fretadas ou emprestadas por conhecidos.

Uma das imagens teria sido feita na Finlândia, no início de 2025, durante uma viagem de Lulinha e Roberta para observar a aurora boreal. O deslocamento ocorreu em um Embraer Praetor 600, modelo de jato executivo cujo preço de uma aeronave nova ultrapassa US$ 20 milhões.

Em 2024, Lulinha teria comemorado o aniversário com a esposa em um camarote do Rock in Rio Lisboa, presente de um empresário. No ano seguinte, também teria visitado a Grande Muralha da China em uma viagem custeada por um empresário, que incluiu um almoço próximo ao monumento.

“O pai era o primeiro que deveria questionar”, diz Roberta

Ao comentar o padrão de vida de Lulinha, Roberta questionou a ausência de questionamentos sobre a origem dos recursos que sustentariam as despesas da família.

“Se a vida está boa, quem vai questionar? Ninguém questiona. Aliás, o pai não questiona. O pai era o primeiro que deveria questionar”, afirmou.

A lobista comparou a situação à hipótese de um familiar passar a exibir bens ou despesas incompatíveis com sua capacidade financeira, defendendo que a origem dos recursos deveria ser esclarecida.

FESTAS – Lulinha passou a virada de ano em 2025 na mansão alugada por Roberta Luchsinger em Brasília ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência (Reprodução/Reprodução)
FESTAS – Lulinha passou a virada de ano em 2025 na mansão alugada por Roberta Luchsinger em Brasília ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência (Reprodução/Reprodução)

Lobista afirma que não aceitará ser responsabilizada por todo o caso

Luchsinger também afirmou que pretende se defender e responder por eventuais crimes que sejam comprovados, mas rejeitou a possibilidade de ser responsabilizada sozinha pelas relações e pelos negócios investigados.

“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal”, declarou à CNN Brasil, segundo a reportagem.

A VEJA relata ainda que a lobista afirmou ter recebido ameaças, incluindo uma ameaça de morte dirigida a uma de suas filhas, de 14 anos. A publicação também menciona que ela acredita estar sendo alvo de uma estratégia para desqualificá-la, alegação que não aparece acompanhada, no material analisado, de comprovação independente.

O principal ponto de atenção é a disposição manifestada por Roberta Luchsinger de buscar uma delação premiada e apresentar informações sobre relações comerciais e políticas que afirma conhecer. Caso formalizado, um eventual acordo dependerá dos requisitos legais, da análise das autoridades e da apresentação de elementos verificáveis.

Por enquanto, as declarações da lobista, as mensagens citadas e as informações atribuídas às investigações compõem um quadro que pode ter novos desdobramentos, mas não equivalem, por si só, à comprovação de todas as suspeitas relatadas.

Crédito: Revista VEJA, responsável pela reportagem original e pela divulgação dos relatos e detalhes apresentados neste texto.

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