Investigadores da PF relatam pressão em atuação no caso Toffoli

Investigadores da Polícia Federal (PF) e servidores de órgãos que atuam nas investigações do caso Master têm relatado um aumento da pressão direta e indireta do gabinete do ministro Dias Toffoli desde o fim do ano passado e mais intensamente no início de 2026. Toffoli é o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) responsável pela condução das investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. A pressão relatada inclui desde sondagens informais à seleção de profissionais específicos para acompanhar a extração e apuração das provas colhidas durante as operações policiais.

A reportagem apurou que recentemente pessoas ligadas ao gabinete de Toffoli vinham fazendo perguntas informais à Polícia Federal sobre o que havia sido achado e extraído nos aparelhos eletrônicos de Daniel Vorcaro.

Na segunda-feira (9), um relatório entregue pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, informou sobre evidências de um possível conflito de interesses de Toffoli na relatoria do caso.

Foram identificados registros de ligações telefônicas de Vorcaro para Toffoli e um convite feito ao banqueiro para o aniversário do ministro – o que apontaria uma relação de proximidade entre os dois. Além disso, mensagens extraídas de aparelhos de celular relacionados a Vorcaro apontariam diálogos cifrados do banqueiro com terceiros sobre supostos pagamentos feitos a Toffoli.

Toffoli divulgou nota afirmando que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.

Após a repercussão do caso nesta quinta-feira (12), Toffoli determinou oficialmente que a Polícia Federal envie à Corte o conteúdo completo de todos os celulares apreendidos na investigação sobre o Banco Master.

Na decisão, o ministro ordenou o encaminhamento integral dos dados e dos laudos periciais já produzidos e afirmou que a medida atende a pedidos das defesas para acesso ao material e para garantir o direito ao contraditório e ao devido processo legal.

O caso, que apura supostas fraudes estimadas em R$ 12 bilhões na venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), ganhou novos contornos após decisões do relator no STF serem interpretadas internamente como restrições à atuação da PF.

Há pelo menos dois meses investigadores têm alertado informalmente para o aumento de pressão, risco de restrição operacional e receio de que decisões possam ser influenciadas pelo temor do aparecimento do nome do magistrado e de outros possíveis membros da Corte, de seus familiares e de nomes influentes na cena pública de Brasília.

O gabinete de Toffoli sustenta que as medidas adotadas têm buscado garantir controle judicial adequado e respeito às normas processuais.

Nos bastidores, integrantes da equipe de investigação afirmam que o ambiente se tornou mais sensível e belicoso à medida que apareceram elementos que poderiam colocar o ministro e nomes de peso no centro das apurações.

A preocupação relatada é de que a citação desses personagens em conteúdos de celulares ou documentos apreendidos já tenha influenciado decisões que impactaram o ritmo e o alcance das operações policiais.

No relatório desta semana, com cerca de 200 páginas, a PF pede autorização a Fachin para fazer novas diligências, o que indicaria novas fases da operação podendo mirar nomes do alto escalão do poder e no Judiciário.

Gazeta do Povo

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