A revista Oeste trouxe à tona uma decisão de Alexandre de Moraes que impôs a caminhoneiros envolvidos nos protestos de 2022 multas que alcançam a inacreditável cifra de R$ 7 bilhões. O ministro, inclusive, já liberou a Justiça Federal para executar a cobrança dos valores, calculados com base em penalidades de R$ 100 mil por hora de bloqueio, por veículo vinculado a CPF ou CNPJ.
Sim, é inédito, bizarro, perverso. Como registramos no site mais cedo, há casos de pessoas físicas multadas em até R$ 147 milhões! Pequenas empresas receberam cobranças que vão de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões. Para esses negócios, a imposição de multas abusivas significa falência certa. Para pessoas comuns, a perda da renda familiar, da própria subsistência.
Temo que muitas dessas pessoas acabem se desesperando e tirando a própria vida, como vimos acontecer na época do confisco das poupanças durante o governo Collor.
Importante ressaltar que a decisão de Moraes vem ao encontro de posicionamento da própria Advocacia Geral da União, comandada por Jorge Messias, nome de Lula para a vaga de Luís Roberto Barroso. Segundo a AGU de Bessias, os critérios adotados para o cálculo das multas são “técnicos” e o STF os considerou “razoáveis”.
Por trás do evidente intento de punir de forma exemplar os apoiadores de Bolsonaro que foram às ruas protestar, a decisão de Moraes tem um timing que sugere recado aos caminhoneiros que ameaçam agora parar o país por causa do preço do diesel. Não basta massacrar aqueles que apoiam Jair Bolsonaro, é preciso constranger, amedrontar, quem ousa prejudicar Lula.
Uma paralisação de caminhoneiros colocaria o petista na cordas, fazendo despencar de vez sua já combalida popularidade e enterrando seu projeto de um quarto mandato — ou o de fazer um sucessor. Ao impedir isso, o ministro acena com a bandeira branca, a fim de enterrar de vez as investigações do Master. O fim antecipado da CPMI do INSS, que avançava sobre Vorcaro e Lulinha, não foi um gesto isolado.
Depois do rompimento, Moraes e Lula parece que ensaiam uma reconciliação. Se a pacificação é real, saberemos nas próximas semanas com os desdobramentos da delação de Daniel Vorcaro e o viés da cobertura da Globo. Outubro parece cada vez mais longe.
Fonte:Blog Cláudio Dantas


