Uma das principais lideranças nacionais do PSOL, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protagonizou nesta semana um duro embate público com a direção nacional do partido e da Federação PSOL-Rede ao criticar a forma como os recursos do fundo eleitoral estão sendo distribuídos para as campanhas de 2026.
Em publicação nas redes sociais, a parlamentar acusou a direção partidária de descumprir acordos internos e promover uma divisão de recursos que, segundo ela, prejudica candidaturas negras, trans, periféricas e de maior potencial eleitoral. A crítica foi direcionada especialmente ao presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, apontado por Erika como um dos beneficiados pelo atual modelo de distribuição.
Críticas ao comando da federação
Em seu posicionamento, Erika Hilton afirmou que o partido estaria abandonando critérios que historicamente defendia para promover maior representatividade política. Segundo a deputada, candidaturas com forte potencial de votação estariam recebendo menos recursos do que candidatos que disputarão eleições pela primeira vez ou que possuem menor densidade eleitoral.
A parlamentar citou nominalmente Juliano Medeiros, afirmando que o dirigente, estreante em disputas eleitorais, estaria recebendo tratamento equivalente ao de parlamentares já consolidados. Erika também questionou a destinação de recursos para outras candidaturas apoiadas pela direção nacional do partido.
Debate sobre representatividade
O centro da crítica apresentada pela deputada envolve a política de distribuição de recursos para mulheres, pessoas negras, pessoas trans e candidatos oriundos de movimentos sociais. Segundo ela, o PSOL teria enfraquecido mecanismos internos que buscavam corrigir desigualdades históricas na disputa eleitoral.
Erika argumenta que campanhas de candidaturas negras e trans enfrentam desafios específicos, incluindo maiores custos com segurança e estrutura, além de obstáculos sociais que exigiriam tratamento diferenciado na distribuição dos recursos partidários.
Racha expõe tensão pré-eleitoral
A manifestação pública da deputada revelou uma tensão interna significativa dentro do PSOL às vésperas da campanha eleitoral. O episódio chama atenção porque Erika Hilton é considerada uma das principais apostas eleitorais da legenda em São Paulo e uma das parlamentares de maior projeção nacional do partido.
Nos bastidores, integrantes da legenda avaliam que o conflito pode aprofundar divisões internas justamente em um momento em que o partido busca ampliar sua representação na Câmara dos Deputados e enfrentar os desafios impostos pela cláusula de desempenho eleitoral.
Disputa vai além dos recursos
Mais do que uma divergência financeira, a controvérsia expõe um debate sobre os rumos políticos do PSOL e os critérios adotados pela direção nacional para definir prioridades eleitorais.
Enquanto Erika Hilton defende que o partido fortaleça candidaturas com maior potencial de votação e representatividade social, a direção partidária sustenta a necessidade de construir uma estratégia nacional equilibrada para ampliar a presença da legenda em diferentes estados.
A discussão ocorre em um momento decisivo para a Federação PSOL-Rede, que busca aumentar sua bancada federal em 2026 e consolidar novas lideranças nacionais. O embate entre uma das figuras mais populares da legenda e a direção da federação demonstra que a disputa pelo fundo eleitoral está longe de ser apenas uma questão administrativa, refletindo também diferentes visões sobre o futuro do partido.


