Na reta final do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificaram a campanha no Nordeste para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reduzir a vantagem do petismo na região. A estratégia da direita combina atos de rua em capitais e outras cidades nordestinas com vídeos nas redes sociais, incluindo um minidocumentário do parlamentar mineiro sobre a realidade local que alcançou 153 milhões de visualizações em menos de 24 horas.
Ao lado de Nikolas Ferreira e outros apoiadores da direita, o candidato a presidente do Partido Liberal intensificou agendas de rua em capitais e cidades estratégicas do Nordeste – Salvador (BA), Teresina (PI), Aracaju (SE), São Luís (MA) e Fortaleza (CE) – para tentar conter o petismo na região e disputar o voto do eleitorado dessa parte do país.
A ofensiva da base aliada de Flávio Bolsonaro ainda usa a internet para desmontar a barreira histórica que transformou o Nordeste em uma “fortaleza eleitoral” do PT. O deputado Nikolas Ferreira usou o seu perfil no Instagram para mobilizar a população da região por meio de um minidocumentário e conseguiu a marca de 153 milhões de visualizações em apenas 24 horas após a publicação.
O analista político João Cândido, da Amelati Consultoria, destaca que o vídeo é criativo, humano e foi publicado em momento adequado da campanha eleitoral. “Nikolas desloca a crítica para o governo e coloca o eleitor na posição de quem merece ser ouvido. Isso reduz uma resistência importante à direita na região: a percepção de que seus representantes desprezam ou não compreendem a realidade nordestina”, explicou Cândido.
No primeiro turno de 2026, Lula ficou à frente de Flávio nos nove estados da região, apesar de ter reduzido a votação na comparação com o primeiro turno da eleição de 2022 quando enfrentou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio muda tom do discurso sobre Nordeste
Para romper o domínio de Lula na região Nordeste, a campanha de Flávio Bolsonaro investe na tática de “despetização” do debate regional.
Nesse sentido, especialistas e analistas políticos mostram que a mudança de tom na mensagem de Flávio Bolsonaro e de seus apoiadores na internet é visível.
A retórica do discurso político da direita abandonou os antigos apontamentos acusatórios sobre o padrão eleitoral do Nordeste, que costumavam afastar o eleitor e alimentavam acusações de preconceito.
A campanha de Flávio Bolsonaro, seja nos palanques ou na internet, adota a narrativa de acolhimento e de emancipação do estilo petista de governar.
A mensagem enfatiza que o povo nordestino não é culpado pelo atraso, mas sim a principal vítima de uma tutela política exercida pelo PT, que não resolveu problemas estruturais básicos e tampouco integrou o cidadão comum ao projeto de prosperidade nacional amplamente defendido pela direita.
Em Salvador (BA), no último sábado (17), Flávio Bolsonaro mostrou o discurso que seria adotado pela sua campanha na última semana da corrida eleitoral. O candidato do PL enfatizou aos nordestinos que a política do PT é a responsável por famílias brasileiras ainda dependerem de auxílios sociais e viverem sem expectativa de rompimento com a pobreza.
“Vocês verão o governo que vai fazer o maior programa de mobilidade social do mundo. No meu governo, eu vou fazer de tudo para o pobre ficar rico, enquanto o atual governo faz de tudo para o pobre ficar miserável”, disse Flávio Bolsonaro em ato público na capital baiana.
Palanque físico e atenção ao “Nordeste profundo” marcam reta final da campanha do PL
O “bloco do 22”, nomenclatura dada aos atos de Flávio Bolsonaro, percorreu regiões metropolitanas de capitais nordestinas e arrastou multidões durante a semana. Ao lado de Nikolas Ferreira e apoiadores locais, Flávio Bolsonaro também promoveu o avanço sobre o chamado “Nordeste profundo”, onde a conectividade à internet ainda é deficitária.
A montagem dos palanques físicos tem sido articulada com auxílio direto do vice de Flávio Bolsonaro, o deputado federal e ex-promotor de Justiça alagoano Alfredo Gaspar (PL).
A comitiva percorreu cidades de Alagoas, Bahia, Maranhão, Sergipe e Ceará, buscando quebrar resistências à direita no Nordeste.
O especialista em liberdade de expressão André Marsiglia lembra que o PT ainda é forte no Nordeste. No entanto, ele acredita que a força da esquerda na região está diminuindo a cada ano.
“Eu vejo essa margem de diferença, do favorecimento da esquerda no Nordeste, diminuir. O Nordeste é de esquerda, mas a direita está diminuindo a diferença. E isso tende a acontecer ainda mais no segundo turno”, opina Marsiglia.
Gazeta do Povo


