Preocupação do Planalto com interferência de Trump nas eleições ganha força e deixa esquerda brasileira em polvorosa
Desde o início do governo Lula, há uma preocupação no Planalto e entre assessores internacionais com a possibilidade de Trump tentar interferir nas eleições deste ano. Existia um temor, por exemplo, de que as relações do governo Trump com as plataformas de redes sociais pudessem ser usadas para favorecer o candidato opositor a Lula, com a divulgação de notícias falsas.
E a maneira como estamos vendo o quadro se desenhar agora aponta para uma preocupação com cada vez mais fundamentos. Isso porque Trump vem lançando mão de medidas supostamente institucionais, diplomáticas, econômicas ou mesmo de segurança.
O episódio da tentativa de visita ao Brasil de Darren Beattie, conselheiro de Trump para o Brasil, deve ser visto dentro desse contexto mais amplo, no qual os sinais passados pelos Estados Unidos indicam a tentativa de uma possível interferência na política brasileira.
Nos últimos meses, Trump tem adotado uma série de medidas que afetam o país. Em julho do ano passado, os Estados Unidos decidiram impor tarifas de até 50% sobre os produtos brasileiros, e o próprio Trump ligou essa decisão ao julgamento do ex-presidente Bolsonaro no STF. Houve, ao mesmo tempo, a aplicação de sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal, notadamente contra Alexandre de Moraes, e também outros magistrados, incluindo a revogação de seus vistos.
Naquele episódio, os Estados Unidos utilizaram a Lei Magnitsky para congelar eventuais bens do ministro em território americano, restringir sua entrada no país e limitar relações com empresas americanas. A Magnistsky é uma das mais duras medidas da política externa americana, pois trata-se de uma lei originalmente reservada para casos de violações graves de direitos humanos, e que sofreu uma distorção por parte de Trump na forma como é aplicada.
Recentemente, outra “casca de banana”: o governo Trump tem defendido que facções como o PCC e o Comando Vermelho sejam classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Se isso acontecer, a porta estará aberta para que os EUA imponham sanções internacionais ao Brasil, levantando o receio sobre a possibilidade de operações conjuntas de segurança em território brasileiro.
Essa questão preocupa o governo também pela dimensão política de impor sanções a empresas que tentem investir ou se relacionar com o país. Esse caminho da segurança poderia ser usado para prejudicar economicamente o Brasil, atingindo a economia, que é um dos principais trunfos do presidente Lula para esta eleição.
O suposto enfrentamento ao narcotráfico está sendo usado pelos Estados Unidos para realizar intervenções diretas nos países vizinhos. O caso mais grave foi a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, no primeiro final de semana de 2026, que agora se encontra preso nos Estados Unidos. Mas isso aconteceu também no México, com os cartéis de drogas, levando a presidente Claudia Sheinbaum a adotar uma postura mais dura na defesa da soberania nacional diante da pressão americana. E isso também ocorre na Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro, foi chamado por Trump de “traficante”.
Direita insiste na narrativa de Trump como aliado
Enquanto o governo tenta colocar panos quentes na situação, a direita quer mostrar que Trump continua sendo um grande aliado de Bolsonaro. Embora o ex-presidente tenha parecido perder esse título no ano passado, quando Trump se aproximou de Lula e afirmou ter “boa química” com ele, a direita agora tenta se arvorar dessa proximidade para recuperar o discurso político e eleitoral.
No campo das narrativas, portanto, enquanto o governo prega cautela, a direita afirma que Trump deseja a vitória de Flávio Bolsonaro.
Com informações de @amadormundo


