Corte de Contas apura se recursos públicos e servidores federais foram mobilizados para viabilizar participação de Janja no Carnaval do Rio
O Tribunal de Contas da União (TCU) deu início a uma investigação para verificar irregularidades no emprego de verbas e estrutura da Presidência da República durante o Carnaval de 2026. O foco da auditoria é a participação de Janja no desfile na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A representação, protocolada por parlamentares do Partido Novo, aponta indícios de desvio de finalidade no uso do aparato estatal, incluindo o suporte logístico e material de servidores do Executivo para a organização de um carro alegórico.
Embora o pedido de medida cautelar para barrar o evento tenha perdido o objeto — uma vez que o desfile ocorreu em 15 de fevereiro —, os ministros do TCU decidiram, de forma unânime, dar prosseguimento ao mérito da denúncia. O colegiado estabeleceu um prazo de 15 dias para que a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Social (Secom) forneçam explicações detalhadas. A Corte exige a lista nominal de todos os funcionários, incluindo equipes de segurança, cerimonial e assessoria, que foram deslocados à capital fluminense entre os dias 1º e 18 de fevereiro para prestar suporte à cúpula do governo.
A investigação solicita, ainda, um levantamento financeiro minucioso sobre os custos da operação. O tribunal busca identificar os valores exatos despendidos pela Administração Pública com passagens aéreas, diárias, hospedagens e eventuais horas extras do pessoal mobilizado para o período festivo. Além disso, os órgãos presidenciais deverão esclarecer se houve a atuação direta do cerimonial em atividades privadas, como a gestão de convites, controle de presença e até auxílio na confecção de fantasias para os integrantes da alegoria governamental.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, o processo sob relatoria do ministro Augusto Nardes pode acarretar sanções severas, como a obrigação de ressarcimento integral dos valores aos cofres públicos e a aplicação de multas aos gestores envolvidos. No campo administrativo, há o risco de inabilitação para o exercício de cargos públicos, enquanto na esfera jurídica, as conclusões podem fundamentar ações por improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Federal. O desfecho da apuração também possui potencial desgaste político, uma vez que a análise foi anexada a outra investigação sobre repasses da Embratur, o que amplia o escrutínio sobre a legalidade dos incentivos estatais ao evento.
As informações são do Portal Novo Norte


