Lula ameaça retomar ilha em Angra e Flávio cobra explicações sobre uísque de R$ 500 mil

No debate, presidente insistiu em questionar a regularização de propriedade ligada a um amigo do senador

O presidente Lula (PT) afirmou que pretende retomar um terreno em Angra dos Reis (RJ) durante o debate com o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta sexta-feira (23). O petista questionou a regularização da propriedade e disse que o governo poderá devolver a área ao que considera ser seu legítimo dono. Flávio negou envolvimento irregular e rebateu com perguntas sobre um uísque Macallan avaliado em cerca de R$ 500 mil que o presidente teria recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula insistiu em saber se Flávio teria influência sobre um coronel do Exército que dirigiu a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo o presidente, uma pessoa teria aguardado mais de um ano pela regularização, enquanto outra, ligada ao círculo de relações do senador, teria conseguido autorização em apenas uma semana.

“Se isso já estiver certo, nós vamos tomar o terreno e devolver a quem é o dono”, declarou Lula, ao mencionar que sua equipe analisaria a situação.

Flávio negou ter indicado o responsável pela SPU e afirmou que a disputa já foi decidida judicialmente. O senador também disse que Willer Tomaz, advogado citado no confronto, é seu amigo, mas não seu sócio. Em seguida, questionou a relação de Lula com o uísque de alto valor.

Disputa pela propriedade

A discussão envolve uma propriedade na ilha Comprida, em Angra dos Reis, cuja ocupação é objeto de disputa entre o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, próximo de Flávio Bolsonaro.

Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação, na indenização de moradores e na reforma do imóvel. Ele sustenta que perdeu a propriedade após uma disputa judicial e procedimentos administrativos que teriam favorecido Tomaz.

O advogado contesta essa versão e afirma ter adquirido legalmente os direitos de uso, além de ter arcado com despesas para regularizar pendências. Há decisões judiciais favoráveis a Tomaz, segundo reportagens sobre o caso, e Flávio sustenta que a questão já foi definitivamente julgada.

Durante o debate, Lula voltou a questionar como a autorização foi concedida e afirmou que o governo examinaria a possibilidade de recuperar a área. Flávio negou participação na regularização e acusou o presidente de insistir em uma questão que, segundo ele, já foi resolvida pela Justiça.

“Qual o gostinho desse uísque?”

Na mesma rodada de confronto, Flávio questionou Lula sobre uma garrafa de Macallan 1945 que, segundo mensagens atribuídas a Vorcaro e divulgadas pela imprensa, teria sido comprada para presentear o presidente. O valor estimado da bebida é de aproximadamente R$ 500 mil.

“Você ganhou um uísque Macallan, que vale R$ 500 mil. Meio milhão de reais. Qual o gostinho desse uísque, Lula?”, provocou o senador.

Flávio também perguntou se houve alguma contrapartida pelo presente e comparou o valor da garrafa à renda de famílias beneficiárias do Bolsa Família. O senador calculou que, se a garrafa fosse dividida em dez doses, cada uma custaria cerca de R$ 50 mil.

O presidente rebateu as acusações e questionou a relação de Flávio com Vorcaro. Lula afirmou que o adversário e pessoas próximas a ele mantinham relações com o ex-banqueiro e voltou a cobrar explicações sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.

Mensagens citam presente

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, indicam que o então controlador do Banco Master pediu a um funcionário que comprasse uma garrafa de Macallan 1945 para presentear Lula. Em outra conversa, o advogado Walfrido Warde afirmou que o presidente havia agradecido pelo uísque.

Questionado anteriormente sobre o episódio, Lula disse que não se lembrava se havia recebido a bebida. “Se me deu uísque, já bebi”, afirmou em entrevista.

Blog do Cláudio Dantas

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