Recuo do recuo: Republicanos se reúne para reavaliar veto a candidatura de Cleitinho em Minas

Senador terá reunião com presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, marcada para esta segunda-feira

Cinco dias após anunciar que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) estava fora da disputa eleitoral em Minas Gerais, a cúpula do partido ensaia um recuo e prevê uma nova rodada de reuniões nesta segunda-feira para decidir se o parlamentar será ou não candidato ao Palácio Tiradentes.

Cleitinho tem um encontro marcado com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para debater o assunto. A expectativa entre aliados do senador é que ele tenha o aval da legenda para concorrer. O próprio presidente do partido, após demonstrar insatisfação com o senador, agora indica que pode rever a decisão de não lançá-lo.

— Primeiro te ignoram, depois, ridicularizam, em seguida te combatem, mas no fim você vence. Conhece a história de Davi e Golias? Davi vai ganhar de novo. Vamos para cima, tamo junto — declarou Cleitinho no domingo nas redes sociais.

O presidente do Republicanos evitou adiantar uma decisão, mas declarou que considerou reavaliar o pedido do senador para concorrer após candidatos a deputado do partido em Minas Gerais ameaçarem abandonar a disputa caso Cleitinho não disputasse o governo.

— A reunião será amanhã. Não sei o desfecho. (O partido reavalia a candidatura de Cleitinho para) manter a chapa de federais e estaduais viva. Estão dizendo que sem ele irão desistir — disse Pereira ao GLOBO.

Na quarta-feira, o Republicanos havia anunciado que decidiu não lançar Cleitinho Azevedo como candidato a governador de Minas Gerais. Após meses de indefinições e sinais trocados, o senador passou a sinalizar desde a última terça-feira que deseja entrar na disputa.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, publicado após dez dias de silêncio do parlamentar desde a morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, o senador afirmou que “aceita a missão”, mas sem citar diretamente a disputa pelo comando do estado.

A publicação foi vista por aliados do senador em Minas como um sinal de que ele havia se decidido e como uma prévia da oficialização da candidatura. Apesar disso, o partido reviu a posição e chegou a decidir que apoiaria Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Minas, como candidato a governador.

Enquanto Cleitinho publicava o vídeo, Aro participava de uma reunião em Brasília com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável. O presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor, também esteve presente e o presidente nacional do Republicanos participou de uma parte da conversa por telefone.

Se confirmada a candidatura de Cleitinho a governador, Marcelo Aro deve ser lançado candidato a senador na mesma chapa. O deputado Domingos Sávio (PL-DF) deve disputar a outra vaga ao Senado e o grupo deve dar sustentação para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Inicialmente Marcelo Aro seria candidato a senador na chapa do governador Matheus Simões (PSD), mas recuou após a entrada do senador Carlos Viana (PSD) na chapa como candidato à reeleição.

Cleitinho, que lidera as pesquisas, passou a dar sinais trocados desde o fim do ano passado se vai concorrer ou não ao cargo de governador. O cenário se agravou depois da morte do irmão Matheus Azevedo, no último dia 18 de julho.

Inicialmente, o partido tinha a expectativa de que ele anunciasse uma decisão até a data da convenção estadual de Minas Gerais, que aconteceu no dia 26 de julho, mas não houve definição e o senador não esteve presente no evento.

Diante da hesitação de Cleitinho, a cúpula do Republicanos passou a resistir dar aval para a candidatura dele a governador. A avaliação é que, apesar de liderar isolado as pesquisas, Cleitinho é um político considerado instável e tem o perfil de fazer ataques à classe política. Havia um temor que Cleitinho fizesse críticas na campanha aos próprios integrantes do Republicanos.

Apesar disso, a ameaça de uma crise com Cleitinho prejudicar a meta do partido de eleger deputados no estado, fez com que a legenda buscasse um acordo com o senador.

Fonte: O Globo

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