Rejeição crescente a Lula em São Paulo expõe desgaste do governo e abre caminho para Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno

Uma nova pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (9) revela um cenário preocupante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país. O levantamento aponta que Lula tem 49% de rejeição entre os eleitores paulistas, superando a rejeição do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que registra 45%.

O dado chama atenção por vir justamente de São Paulo, estado historicamente decisivo nas disputas presidenciais e responsável por definir tendências eleitorais nacionais. Na prática, a pesquisa mostra que o desgaste político do atual presidente continua crescendo, enquanto adversários da direita começam a se consolidar como alternativas competitivas.

O levantamento, realizado entre os dias 6 e 7 de março, ouviu 2.000 eleitores e possui 95% de nível de confiança, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01902/2026.

Depois de Lula e Flávio Bolsonaro, aparecem no ranking de rejeição o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, com 26%; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 25%; e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, com 24%. Na sequência surgem o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, com 23%, o líder do partido Missão, Renan Santos, com 22%, e o ex-ministro Aldo Rebelo, que aparece com a menor rejeição entre os citados, somando 19%.

Embora a pesquisa trate especificamente de rejeição eleitoral, o número elevado atribuído a Lula reflete um cenário político cada vez mais desfavorável ao governo federal. A sucessão de crises políticas, econômicas e institucionais tem ampliado o desgaste do Planalto, especialmente diante de denúncias que vêm surgindo em torno do chamado caso Banco Master, que diariamente expõe novas suspeitas envolvendo autoridades ligadas ao entorno do presidente.

Essas revelações têm alimentado a narrativa de que o governo enfrenta um ambiente de crescente desconfiança pública, o que tende a impactar diretamente o desempenho eleitoral de Lula caso ele decida disputar um novo mandato.

Nesse contexto, o nome de Flávio Bolsonaro começa a ganhar força como possível herdeiro do capital político da direita nacional. Mesmo com rejeição relativamente elevada — comum em figuras de grande exposição política — o senador aparece como um dos poucos nomes capazes de polarizar diretamente com Lula e mobilizar o eleitorado oposicionista.

Analistas políticos avaliam que, em um eventual segundo turno, o cenário pode se tornar ainda mais complicado para o presidente. Isso porque a rejeição elevada tende a dificultar a ampliação de alianças e a conquista do chamado voto moderado, elemento decisivo nas disputas finais.

Se as tendências atuais se confirmarem e as denúncias envolvendo o escândalo do Banco Master continuarem a ganhar repercussão, o desgaste do governo pode se aprofundar ainda mais — abrindo espaço para que candidatos da oposição, especialmente Flávio Bolsonaro, consolidem um caminho competitivo rumo ao Palácio do Planalto.

Em um país onde eleições presidenciais costumam ser definidas nos detalhes, a rejeição crescente ao atual presidente pode se transformar no principal ativo político de seus adversários nos próximos meses.

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