‘idiota’, ‘mentiroso’, ‘moleque’: mensagens do vice-governador expõem racha no PT do Maranhão

Crise aprofunda isolamento do vice-governador Felipe Camarão (PT)

O vazamento de mensagens atribuídas a Felipe Camarão (PT), vice-governador do Maranhão, ocorre em um momento de forte tensionamento interno em seu partido no Estado e escancara uma crise que vem sendo construída ao longo dos últimos anos na legenda.

Camarão tenta se viabilizar como pré-candidato ao governo do Estado mesmo sem capilaridade eleitoral ou base política consolidada. O movimento ganhou força após seu afastamento do governador Carlos Brandão, principal aliado político que poderia sustentar seu projeto.

De acordo com políticos experientes do Maranhão, o único voto estratégico que Camarão precisava para se tornar governador era justamente o de Brandão, mas optou pelo distanciamento e pela aliança com um grupo minoritário. que se autodenomina “dinista”, ligado ao ministro do STF e ex-governador Flávio Dino.

Esse reposicionamento ocorre em contraste direto com a estratégia nacional do PT e de Lula (PT). O Palácio do Planalto tem deixado claro que o foco para 2026 não está na costura de governos estaduais isolados, mas na ampliação da bancada no Congresso Nacional, especialmente no Senado, e na consolidação de alianças estaduais capazes de garantir governabilidade, base eleitoral robusta e resultados concretos.

Brandão, maior aliado de Lula

Carlos Brandão, assim, consolidou-se como o principal aliado do projeto nacional do PT no Maranhão. O governador mantém mais de 70% de aprovação popular, segundo a última pesquisa da Quaest, conta com o apoio de mais de 190 prefeitos eleitos em 2024, de um total de 217 municípios, e obteve vitórias estratégicas em cidades-chave como Imperatriz, segunda maior do Estado e historicamente associada ao bolsonarismo. O Maranhão, sob sua liderança, figura entre os Estados onde Lula obteve uma das maiores votações proporcionais do país.

A ofensa como estratégia.

Sem base municipal , sem unidade interna e em confronto permanente com setores do próprio PT, Felipe Camarão passa a ser visto como um fator de instabilidade em um momento em que a legenda busca coesão para enfrentar o ciclo eleitoral de 2026.

Dirigentes petistas avaliam que o vazamento das mensagens apenas reforça a leitura já predominante: a tentativa de viabilização de Felipe Camarão não dialoga com a estratégia nacional do partido nem com a realidade política do Maranhão, hoje ancorada na liderança consolidada de Carlos Brandão.

Diário do Poder

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