Ex-governador tenta jogar a crise do BRB no colo de Celina, mas evita explicar o rombo do Iprev, os restos a pagar e a herança problemática que deixou para Brasília
Por Cláudio Ulhoa
Rodrigo Rollemberg (PSB) resolveu cobrar Celina Leão (PP) pela crise envolvendo o BRB e o Banco Master. Uai, logo ele? O ex-governador tenta jogar no colo da atual governadora uma crise que ela recebeu para administrar, enfrentar e corrigir. Celina não criou o problema, mas foi ela quem assumiu a responsabilidade institucional de buscar solução, cortar gastos e defender a estabilidade do banco público que pertence aos brasilienses.
O discurso de Rollemberg esbarra no próprio passado. Ele gosta de repetir que deixou dinheiro em caixa, mas esquece de explicar os restos a pagar, o passivo bilionário apontado pela gestão seguinte e, principalmente, o caso do Iprev. Foi no governo dele que decisões sobre o dinheiro dos aposentados do DF viraram uma das maiores controvérsias fiscais da história recente de Brasília. Agora, com a desvalorização das ações do BRB no contexto do Banco Master, essa conta voltou a aparecer. Uai, o rombo só incomoda quando é dos outros?
Também não dá para apagar da memória o viaduto que caiu no Eixão durante sua gestão, nem as operações que colocaram a antiga cúpula do BRB, no período Rollemberg, nas páginas policiais. Por isso, antes de tentar posar como fiscal da responsabilidade pública, o ex-governador deveria explicar melhor a herança que deixou. Criticar Celina é fácil. Difícil é olhar para o próprio governo sem escolher apenas as partes convenientes.
Celina, por outro lado, está fazendo o que se espera de quem governa: enfrentando a crise, buscando solução técnica, preservando o BRB e tentando proteger servidores, correntistas e a economia do DF. Brasília não precisa de memória seletiva nem de discurso oportunista. Precisa de comando, responsabilidade e coragem para arrumar problemas que não nasceram agora.


