Hermeto, Geraldo, Jabá, Michello e Vitório disputam espaço pelo voto da PMDF

Com vários nomes ligados à Polícia Militar buscando espaço nas urnas, pesquisa coloca Hermeto entre os dez distritais mais citados; divisão do voto corporativo e força das nominatas serão determinantes na disputa por uma das 24 cadeiras da CLDF

A eleição de 2026 abriu uma disputa particular dentro da segurança pública do Distrito Federal.

Vários candidatos ligados à Polícia Militar tentam chegar à Câmara Legislativa apresentando-se, em maior ou menor grau, como representantes das demandas da categoria. Entre eles estão o deputado Hermeto (MDB), que busca a reeleição; Subtenente Geraldo (Podemos); Jabá Arruda (PSD); Coronel Michello (Podemos); e Cabo Vitório (Avante).

Outro nome bastante conhecido na PMDF, Alberto Fraga (PL), também está nas urnas, mas em uma disputa diferente: Fraga concorre a deputado federal, assim como o Coronel Moreno, Sargento Eliomar Rodrigues e o Sargento Maurício Pardal (Podemos). O deputado Alberto Fraga concorre a reeleição.

A quantidade de candidaturas revela força política da segurança pública, mas também cria um problema bastante conhecido nesse segmento: a fragmentação do voto.

E, faltando poucos dias para a eleição, um levantamento da Exata OP fornece uma fotografia interessante dessa corrida.

Hermeto aparece entre os dez primeiros

A pesquisa Exata OP, realizada entre 15 e 18 de setembro, ouviu 4 mil eleitores e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-08683/2026.

No encarte divulgado com os resultados, Hermeto aparece na 10ª posição do ranking geral de citações espontâneas para deputado distrital.

À frente aparecem Chico Vigilante, Max Maciel, Joaquim Roriz Neto, Jaqueline Silva, Pepa, Eduardo Pedrosa, Robério Negreiros, Rôney Nemer e Roosevelt Vilela.

O levantamento tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro máxima informada de 2,5 pontos percentuais para o conjunto da pesquisa. Como os percentuais individuais dos candidatos a distrital são baixos, diferenças pequenas não devem ser interpretadas como posições consolidadas ou previsão do resultado das urnas.

Ainda assim, estar entre os dez nomes mais lembrados no levantamento é um dado relevante para a campanha de Hermeto.

O parlamentar possui ainda duas vantagens objetivas sobre seus concorrentes oriundos da PMDF: já exerce mandato e possui uma estrutura eleitoral estabelecida.

Hermeto também vem realizando campanha para além dos quartéis. No último sábado (19), uma caminhada no Núcleo Bandeirante reuniu cerca de mil participantes, segundo os organizadores, com equipes provenientes de 14 regiões administrativas.

Essa capilaridade fora da corporação é especialmente importante porque dificilmente uma candidatura competitiva à CLDF poderá depender exclusivamente do eleitorado policial.

O MDB entra nessa conta

Existe outro fator que precisa ser observado.

Deputado distrital não é eleito simplesmente porque aparece entre os 24 candidatos individualmente mais votados.

A eleição é proporcional.

Isso significa que a quantidade de votos recebida pelo partido ou federação influencia diretamente quantas cadeiras determinada legenda poderá conquistar.

No recorte publicado da Exata OP, cinco candidatos do MDB aparecem entre os nomes identificados e somam 3,275% das citações. Jaqueline Silva aparece como o nome mais citado do partido, seguida por Hermeto e Wellington Luiz.

O encarte contém ainda uma simulação de distribuição das 24 cadeiras, mas ela precisa ser interpretada apenas como exercício baseado naquela fotografia eleitoral — e não como previsão de quem será eleito.

Subtenente Geraldo tenta converter força corporativa em votos

Entre os adversários de Hermeto dentro da PMDF, Subtenente Geraldo merece atenção por um motivo específico: pesquisas anteriores realizadas diretamente com integrantes da segurança pública mostraram que seu nome possui reconhecimento dentro da categoria.

Em levantamento da Exata divulgado no início do ano, com 600 entrevistados ligados à PMDF e ao Corpo de Bombeiros, Geraldo apareceu com 21,8% das menções quando os participantes foram questionados sobre representação política.

Naquele estudo, Roosevelt Vilela registrou 32,8% e Hermeto, 24,3%.

Esse levantamento não pode ser comparado diretamente com uma pesquisa eleitoral do conjunto da população do DF. São universos diferentes e perguntas diferentes.

Mas ele demonstra que Geraldo possui uma base de reconhecimento dentro da corporação.

O desafio eleitoral é transformar essa lembrança setorial em votação no conjunto do Distrito Federal.

Há ainda um componente partidário interessante: Geraldo está no Podemos, justamente a legenda de Robério Negreiros, que aparece entre os primeiros colocados da pesquisa Exata OP.

Portanto, Geraldo disputa votos não apenas com outros policiais, mas internamente em uma nominata que possui outros candidatos conhecidos.

Jabá Arruda busca espaço no PSD

Lusimar Torres Arruda, o Jabá Arruda, também é policial militar e teve sua candidatura a deputado distrital pelo PSD deferida pela Justiça Eleitoral. Seu número é 55190.

Jabá aparece em uma situação diferente da de Hermeto. Não possui atualmente mandato de deputado distrital e precisa ampliar sua presença eleitoral para além dos círculos nos quais já é conhecido.

No levantamento corporativo da Exata divulgado no começo do ano, aparecia com 3,5% das citações, atrás do bloco formado por Roosevelt, Hermeto e Geraldo.

Isso não determina seu desempenho eleitoral em outubro, mas oferece uma referência sobre seu grau de lembrança naquele universo pesquisado.

Sua eleição também dependerá da votação total obtida pelo PSD e do desempenho dos demais integrantes da nominata.

Coronel Michello disputa o mesmo espaço partidário de Geraldo

O coronel Michello Bueno Gonçalves Oliveira concorre pelo Podemos, número 20122. Assim como Geraldo, possui trajetória na Polícia Militar.

Isso cria uma situação curiosa: dois candidatos diretamente identificados com a PMDF estão dentro da mesma legenda e, portanto, ao mesmo tempo em que colaboram para aumentar a votação do Podemos, competem pela posição individual dentro da própria nominata.

Michello não aparece entre os nomes destacados no recorte dos 50 primeiros lugares do encarte geral da Exata OP divulgado nesta semana.

Isso não significa ausência de votos nem permite concluir antecipadamente sobre seu resultado. O próprio material divulgado é parcial e alerta que candidatos não apresentados no recorte podem ter recebido citações.

Cabo Vitório aposta em candidatura pelo Avante

Carlos Victor Fernandes Vitório, o Cabo Vitório, concorre pelo Avante com o número 70190.

Seu caso também merece atenção porque o encarte da Exata OP apresenta uma relação específica dos candidatos citados do Avante.

Treze nomes da legenda aparecem no material, somando 1,475% da amostra. Rogério Ulysses registra 0,400%, Daniel Radar 0,300%, Sandra Silva 0,175% e Silene da Saúde 0,150%, entre outros.

O desempenho da nominata será tão importante quanto a votação individual de Vitório, porque será necessário primeiro que o partido alcance as condições previstas pelo sistema proporcional para disputar cadeiras. Além disso, Vitório é calouro político, ex-policial, traz uma rejeição no seio da corporação por não ser um pretenso representante nato e carrega o estigma de desagregador por polêmicas criadas contra a corporação. O fato de ter impetrado um pedido de impeachment contra o ex-governador Ibaneis Rocha no início do ano (que posteriormente foi arquivado sob orientação da Procuradoria Geral da CLDF), pesam sobre a escolha do candidato. Não soou bem.

O risco da pulverização do voto policial

A quantidade de candidatos provenientes da segurança pública produz uma situação eleitoral interessante.

Existe um eleitorado corporativo importante, formado por policiais da ativa, veteranos, familiares e pessoas que possuem forte identificação com a pauta da segurança.

Mas nenhum candidato é proprietário desse eleitorado.

Além disso, PMDF e Corpo de Bombeiros possuem milhares de integrantes, mas a eleição distrital envolve todo o eleitorado do Distrito Federal.

Por isso, capacidade de dialogar com comunidades, lideranças regionais e outros segmentos sociais pode ser tão importante quanto o apoio obtido nos quartéis.

É justamente nesse aspecto que candidatos com mandato começam a disputa com características diferentes daqueles que tentam chegar à CLDF pela primeira vez.

A conta que realmente decidirá as cadeiras

É aqui que a disputa fica mais complexa.

A Exata também apresentou uma simulação da composição da futura Câmara Legislativa a partir das citações partidárias e das regras do sistema proporcional.

Mas uma simulação realizada antes da eleição não consegue reproduzir perfeitamente o resultado final porque a distribuição efetiva depende dos votos válidos apurados, dos quocientes eleitoral e partidário, do desempenho individual dos candidatos e das regras para preenchimento das sobras.

Por isso, duas disputas acontecerão simultaneamente em 4 de outubro.

A primeira será entre os próprios candidatos ligados à PMDF pela preferência desse eleitorado. A segunda acontecerá dentro de cada partido, porque não basta conquistar votos individualmente: é preciso que a legenda tenha desempenho suficiente para participar da distribuição das cadeiras.

É justamente por isso que Hermeto, Geraldo, Jabá, Michello e Vitório podem compartilhar uma origem profissional semelhante e, ainda assim, chegar ao dia da eleição enfrentando equações partidárias completamente diferentes.

A PMDF terá representante em 2027?

Para essa pergunta a resposta só poderá ser dada após a abertura das urnas. Os indicadores disponíveis mostram situações diferentes.

Hermeto possui mandato, estrutura política e aparece entre os dez primeiros do recorte da Exata OP. Geraldo apresentou forte reconhecimento em levantamento específico realizado anteriormente dentro da segurança pública. Jabá, Michello e Vitório tentam transformar suas trajetórias e bases próprias em votação suficiente dentro de nominatas distintas.

E há ainda concorrência indireta de outros nomes ligados à segurança pública, inclusive Roosevelt Vilela, oriundo do Corpo de Bombeiros, que também aparece entre os dez primeiros da Exata.

A fotografia atual, portanto, mostra menos uma candidatura única da segurança pública e mais uma disputa pelo direito de representar politicamente esse eleitorado.

No próximo dia 4 de outubro, entretanto, não serão pesquisas, mobilizações internas ou discussões de grupos de WhatsApp que definirão quem ocupará as 24 cadeiras.

Será a combinação entre voto individual e força partidária estabelecida pelo sistema proporcional.

Até lá, os números servem como termômetro.

Não como sentença.

Fonte: Portal Opinião Brasília

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