Neste domingo (11), dez promotores do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Maranhão), escancararam o tamanho da degradação institucional ao pedirem exoneração coletiva após parecer favorável à soltura de criminosos investigados por desvio milionário de recursos públicos.
Eles pediram exoneração coletivamente dos cargos, em documento encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, demonstrando uma crise interna grave no Ministério Público do Maranhão diante da pressão política evidente e confrangedora.
A decisão drástica veio como resposta direta ao parecer assinado pelo procurador-geral em exercício, Orfileno Bezerra Neto, que mandou libertar o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e de outros investigados presos desde a semana do Natal de 2025.
Eles são acusados de integrar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres municipais, na Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro de 2025.
Os promotores argumentam, com razão, que o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça é “dissonante do entendimento técnico-jurídico” do GAECO.
A investigação produziu um conjunto probatório robusto, reconhecido pelo Poder Judiciário ao decretar as prisões preventivas.
No entanto, o encaminhamento do chefe interino do MP, favorável à soltura, ignora essas evidências, sugerindo uma interferência que vai além do mero desacordo jurídico.
É como se o topo da hierarquia do MP-MA estivesse sabotando o trabalho de base. Essa atitude enfraquece o GAECO, e envia uma mensagem perigosa: corruptos influentes podem contar com “salvadores” em altos escalões.
Esse episódio no Maranhão não é isolado. Ele se espalha por todo o país e provoca o descrédito generalizado das instituições brasileiras, mergulhadas em escândalos que vão de Brasília aos rincões do país.
Lembremos da Lava Jato, que desmantelou esquemas bilionários, mas acabou minada por acusações de parcialidade e interferências políticas.
Ou das denúncias contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF), onde suspeitas de conluio com o poder econômico e político minam a imparcialidade.
O resultado? Uma sociedade descrente, onde 70% dos brasileiros, segundo pesquisas recentes, não confiam nas instituições, um índice que só piora com casos como o da quadrilha de Turilândia.
A meu ver, chegamos a um ponto crítico onde o descrédito é uma realidade.
Quando promotores dedicados ao combate ao crime organizado optam por se afastar coletivamente, é um sinal de que o sistema está podre por dentro.
No Maranhão, um estado já marcado por desigualdades e pobreza, desvios como os R$ 56 milhões de Turilândia significam escolas sem merenda, hospitais sem remédios e povo abandonado.
Radar-DF



