Tem um Kassab no meio do caminho

Presidente do PSD exibe a musculatura eleitoral do partido ao atrair Caiado, mas não esconde que segue de olho num candidato de outra legenda

Enquanto a família Bolsonaro trabalha para convencer alguns de seus próprios aliados sobre a viabilidade da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Gilberto Kassab (foto) vai reforçando o time para tentar interferir na disputa entre os dois polos da política brasileira.

Grande vitorioso da eleição municipal de 2024, o PSD conta agora com cinco governadores, três deles convertidos de outros partidos nos últimos meses — Raquel Lyra, de Pernambuco, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, deixaram o PSDB, e, agora, Ronaldo Caiado, de Goiás, tenta manter a perspectiva presidencial ao deixar o União Brasil, no qual estava desde a época do PFL.

Kassab classificou a novidade como um reforço em sua “busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”.

Isentolândia

Crusoé destacou na capa de sua edição 396, publicada em novembro, que a “isentolândia” que não gosta nem de Jair Bolsonaro nem de Lula tem a melhor chance de escapar da polarização neste ano.

As pesquisas de intenção de voto indicam a cristalização das candidaturas do bolsonarismo e do lulismo em eleitorados restritos, ainda que capazes de romper a determinante barreira do primeiro turno — que é o que está de fato em disputa hoje entre os desafiantes do fragilizado Lula.

Nenhum dos dois polos tem hoje, contudo, uma figura como Kassab, que pode até não ter votos para ser eleito, mas tem a capacidade de multiplicar aliados pelos quatros cantos do país.

O presidente do PSD deu mais uma demonstração dessa capacidade ao atrair Caiado. Quer dizer que o governador de Goiás será o candidato presidencial do PSD? Longe disso.

Aliás, qualquer previsão sobre o que ocorrerá na eleição deste ano, a começar pelas candidaturas que serão postas, dependerá de sorte para se confirmar, porque o jogo ainda está em desenvolvimento.

Queda de braço

O que ocorre no momento — e ocorrerá até a data da oficialização das candidaturas — é uma disputa de força para ver quem consegue impor a própria vontade. A partir daí, todos os planos podem mudar e quem hoje diz que nunca se aliaria ao adversário pode acabar de braços dados com ele.

Flávio tenta desenvolver sua musculatura eleitoral ao absorver os votos do pai e diminuir sua taxa de rejeição, enquanto Kassab ostenta os músculos do PSD, que terá palanques fortes por todo lado.

Ratinho ou Caiado podem não ter hoje as intenções de voto do filho 01 de Bolsonaro, mas também não têm o passivo judicial do senador, que inviabilizou o governo do pai — inviabilizará o seu? — e nem assustam Brasília com o risco institucional simbolizado pelo bolsonarismo.

Enquanto a dança se desenrola, Tarcísio de Freitas (Republicanos) assiste a tudo fingindo que não é com ele, mas Kassab repetiu nesta semana: seu candidato dos sonhos é o governador de São Paulo.

A vontade de Kassab se tornou ainda mais relevante nesta semana.

O Antagonista

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