A nova pesquisa do Instituto França reforça um cenário que já vinha sendo percebido nos bastidores da política brasiliense: a governadora Celina Leão (PP) chega à segunda metade do ano eleitoral como a principal força na disputa pelo Palácio do Buriti.
O levantamento mostra que 42,99% dos eleitores aprovam a atual gestão, contra 39,85% que desaprovam, um saldo positivo que tende a beneficiar qualquer projeto de reeleição. Além disso, nos cenários eleitorais apresentados pelo instituto, Celina ultrapassa a marca dos 43% das intenções de voto, consolidando-se como favorita na corrida ao Governo do Distrito Federal.
Mais do que os números absolutos, chama atenção a distância em relação aos principais adversários.
O ex-governador José Roberto Arruda, embora continue figurando entre os nomes mais lembrados do eleitorado e apareça em segundo lugar em outros levantamentos recentes, ainda enfrenta um obstáculo decisivo: sua situação jurídica continua sendo um fator de incerteza para uma eventual candidatura. A indefinição sobre sua elegibilidade dificulta a formação de alianças e impede que sua campanha avance com a mesma intensidade dos demais concorrentes. Em pesquisa Correio/Opinião divulgada em junho, Arruda aparecia com 23,5%, atrás de Celina, que registrava 27,8%.
Já o petista Leandro Grass, que disputou o governo em 2022, permanece praticamente restrito ao eleitorado tradicional da esquerda. Nos levantamentos divulgados até agora, tem oscilado na casa de um dígito, sem demonstrar capacidade de ampliar sua base eleitoral para além do campo progressista. Na pesquisa Correio/Opinião, Grass apareceu com 9,2% das intenções de voto, distante dos dois primeiros colocados.
Situação ainda mais delicada vive Ricardo Cappelli (PSB). Apesar da visibilidade nacional adquirida após comandar a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal e de posteriormente assumir a presidência da ABDI, Cappelli ainda não conseguiu transformar exposição política em intenção de voto. Nas pesquisas divulgadas até o momento, seu desempenho permanece abaixo de 2%, indicando enorme dificuldade para se tornar competitivo em uma disputa majoritária. Na mesma pesquisa Correio/Opinião, ele registrou 1,7% das preferências.
Outro aspecto relevante é que, mesmo faltando meses para a eleição, o percentual de eleitores indecisos continua elevado. Isso significa que ainda existe espaço para mudanças no cenário. Entretanto, historicamente, candidatos que lideram pesquisas durante todo o período pré-eleitoral costumam iniciar a campanha oficial com vantagem política, financeira e de articulação.
Para Celina Leão, o desafio agora deixa de ser conquistar notoriedade e passa a ser administrar o desgaste natural de quem ocupa o governo. Questões como a recuperação do BRB, a continuidade das políticas públicas e a manutenção da base de apoio na Câmara Legislativa tendem a influenciar o humor do eleitorado nos próximos meses.
Enquanto isso, a oposição ainda procura um discurso capaz de unificar diferentes grupos políticos. Até agora, cada adversário enfrenta um obstáculo próprio: Arruda convive com a insegurança jurídica; Leandro Grass não rompe a barreira do eleitorado de esquerda; e Ricardo Cappelli ainda luta para transformar reconhecimento público em competitividade eleitoral.
Se a fotografia registrada pela pesquisa se confirmar nas próximas rodadas, Celina Leão chega à campanha oficial em posição bastante confortável, obrigando seus adversários a correrem contra o tempo para reduzir uma vantagem que, neste momento, parece mais política do que apenas numérica.
A pesquisa do Instituto França foi realizada entre os dias 18 e 23 de junho de 2026, ouvindo 1.067 eleitores do Distrito Federal. O levantamento possui margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob os números DF-04765/2026 e BR-06776/2026.
Fonte: Portal Opinião Brasília


